segunda-feira, 9 de julho de 2012
julho
Ainda paira na soleira a brisa de maio,
alçam voo no norte as andorinhas em bando,
ainda na evanescência do orvalho vespertino
algum sono se desprende do chão de volta ao corpo
e tudo se parece com as folhas de outono.
Ainda flutua o sereno da madrugada, e endurece
a lágrima da vela tarrada.
A noite dormia enquanto o silêncio
se enchia de fúnebres instantes,
e as cortinas se inchavam e murchavam,
[como dois pulmões.
Os móveis de madeira estalavam seco
o retorcer da expansão material
e o soprar do vento uivava desarmonicamente
entre os pinheiros balançantes.
Sei que na manhã seguinte se desabrocharão
as margaridas. E nos olhos que as olham,
a ardentia se revelará num lampejo a adejar
em tais miúdos olhos embotados.
Ainda que deixe de respirar a brisa retumbando
e vibrando neste sangue.
Ainda que degele o amor tomado pela
distância e suas gotas almejem matar
a sede do pecado, o coração
desamável fechado em rocha fria,
erguerá os olhos pra cada sol que nascer.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário