Germina-te, e torna-te o que queres.
Saluta a vida que te espera, e a viva.
Hoje, amanha e sempre que quiseres.
Pois também morre a estrela degressiva.
Do a sal à espuma, da espuma o vapor.
Do homem viril morre o menino,
revelando sua imensa e vasta dor
dos dias que foram todo seu lancino.
Deseja teu descanso com tanta avidez.
Morre nos braços da garoa, sempre
e toda vez. Renascendo no ventre
dos lírios, das flores campestres. Da impetra.
E cada ciclo recomeça na ferida curada,
que o vapor corroí abrindo-se em chaga.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Chega de poemas. Chega de dor.
Chega de poemas. Não quero mais fonemas vazios, cheio de falso lirismo.
Quero tardes de sol e piscinas cristalinas. Quero encostar-me à sombra das árvores, e ver o brilho do sol passear pelas ondas na água.
Chega. Não quero sempre ter que ficar com a parte do amor que dói. Não quero amar - o amor destrói.
O amor sonhado é mais emocionante que o amor vivido. Sim, é. Por que? Porque pode-se enfeitá-lo à seu gosto e, a melhor parte - só acaba quando você disser pra acabar. Pode-se, então, levar tudo dele ou nada dele e mesmo assim, ninguém ficará com um buraco no peito.
Amar é, enfadonhamente, exercer o cuidado com o próximo, senão em demasia para ver a carusma se assentar.
Ao entardecer quero poder admirar as mulheres em silêncio absoluto. Sem que elas saibam, sem que ninguém saiba que o canto de sua boca é diferente de todos que já beijei.
Uma vez, uma garota que trabalhava com a mãe num salão de beleza, me disse que quando eu a olhava, sentia que sua alma estava sendo observada. Logo em seguida me entregou uma pequena carta, se virou e foi embora. Pouco tempo depois, se mudou pra outra cidade. Antes disso, lembro-me de quando meu coração não amava - o mundo era um lugar afável, sem dor; os dias eram divertidos e o sol não me incomodava.
Hoje, prefiro as noites. Hoje, prefiro o céu negro. Hoje, prefiro vagar pela madrugada sem destino. Hoje, prefiro a nudez da lua e prefiro a nudez dos corpos trêmulos que foram se desgastando com essa pedra-pome chamada amor. Prefiro copos cheios. Prefiro lugares cheios de corpos vazios. Pois as almas não acompanham mais seus corpos durante a noite - somos uma alcateia triste a vagar pela floresta em busca de comida, em busca de sangue. Em busca de outro corpo sem alma.
E ato lancinante espreita em toda esquina. E em todo beco úmido está pudor, o atrevimento da escoria rejeitada pelo destino - o ser libertino.
Schopenhauer acreditava que não nascemos nem bons nem maus - O que molda o sujeito são suas vontades e desejos, que surgem ao longo da vida inconscientemente. As dores do mundo são despertadas quando decidimos possuir algo, e ao termos em mãos o objeto de desejo, adquirimos também a dor do mundo.
Não quero o mundo, não quero sua dor. Não quero nada. Porém, desejo possuir tudo.
Ainda em busca de um sentido, não sei se encontrá-lo trará paz a toda essa desolação, a essa fartura de poemas cheios de falso lirismo. Mas até lá, quero estar à beira de piscinas cristalinas, à sombra dos ipês no outono.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
para uma garota tão certa sobre sua beleza.
Peço à tua alma que me deixe em paz.
Que o sol que brilha em ti não me acorde jamais.
Onde, de teu sorriso, uma cachoeira límpida emanava.
E o barulho era uma canção velha que soava.
Uma canção que leva pro fundo escuro da alma.
Queria repousar em teu colo como pássaro no ninho.
Por causa do teu sossego, perco meu sono no caminho.
Fazes o mal e, ao mesmo tempo, o bem. E desse conflito
fazes despertar em mim a inocência de uma criança,
que corre em campos planos e verdes. Sob céu azul
com nuvens tão lindas que as formas lembram você.
As palavras saem de tua boca com a doçura do fruto
mais maduro do pomar. Fruto maduro, intocável, puro e
ainda não colhido. Que dorme no teu interior. Que pulsa
teu sangue para os lábios vermelhos e quentes.
De noite, teus lábios me tiraram o sono.
De noite, teu sorriso se abre como aurora de um dia frio.
De noite, tua alma não me deixa em paz. E são essas as
noites de verão que a lua cheia revela sua nudez,
às claras de sua própria luz.
E o fim do dia perturba novamente. Pois saber que estás
sob o mesmo céu, sob o mesmo sol, e não saber que estás
mais sobre todas as coisas, desfaleces os amor,
mas ainda inspiras poemas ao mundo.
Que o sol que brilha em ti não me acorde jamais.
Onde, de teu sorriso, uma cachoeira límpida emanava.
E o barulho era uma canção velha que soava.
Uma canção que leva pro fundo escuro da alma.
Queria repousar em teu colo como pássaro no ninho.
Por causa do teu sossego, perco meu sono no caminho.
Fazes o mal e, ao mesmo tempo, o bem. E desse conflito
fazes despertar em mim a inocência de uma criança,
que corre em campos planos e verdes. Sob céu azul
com nuvens tão lindas que as formas lembram você.
As palavras saem de tua boca com a doçura do fruto
mais maduro do pomar. Fruto maduro, intocável, puro e
ainda não colhido. Que dorme no teu interior. Que pulsa
teu sangue para os lábios vermelhos e quentes.
De noite, teus lábios me tiraram o sono.
De noite, teu sorriso se abre como aurora de um dia frio.
De noite, tua alma não me deixa em paz. E são essas as
noites de verão que a lua cheia revela sua nudez,
às claras de sua própria luz.
E o fim do dia perturba novamente. Pois saber que estás
sob o mesmo céu, sob o mesmo sol, e não saber que estás
mais sobre todas as coisas, desfaleces os amor,
mas ainda inspiras poemas ao mundo.
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