Aqui, as manhãs vociferam.
E entre as sombras quebradas da luz turva,
me lembrei que Suellen pediu um poema...
Ah! As mornas manhãs de março ainda tem seu valor.
Ainda me recordo dos rubejantes olhos de Suellen.
Aqueles olhos que gritam em silêncio,
que reverbam o som da alvorada.
Aqueles olhos que brotam
orvalho das madrugadas.
São olhos pequenos os de Suellen ,
e que ficam ainda menores
quando seu sorriso se abre.
Vi seus olhos de perto e, sim Suellen ,
seus olhos me recitam versos.
Versos indizíveis. Versos invisíveis.
Não me permito o surto,
o afago atroz de cometer enganos.
Nem a verdade por debaixo
das montanhas me cativam mais.
Mas posso dizer ao ecumênico infinito
que Suellen é ternura gazil
de luares quentes de março.
Suellen usa uma cajila blusa de cetim azul noite,
lisa e macia, assim como a pele de seu rosto.
Entre palavras espaçadas, meus olhos
descansam no seu rosto, anulando o sofrimento.
Desaparecendo até mesmo o sofrimento
da voz de um enfermo moribundo.
Mirifico novamente seus olhos,
agora eles estão mesclados com a noite.
Uma noite de cor azul-negro.
O negro de seus miúdos olhos
que vagam no ar como dente-de-leão
soprados no vácuo, e lá ficando
à mercê de um vendaval de maravalhas.
Faço uma rápida introspecção.
Agora eles me deixam imoto.
- Ah! seus olhos são um rio de emoções, menina!
Fluem com avidez. Se mexem com eviterno
deslumbramento das cores das algas envoltas
pela água fresca do rio.
Eles (os olhos de Suellen) podem tudo; eles
amam, eles odeiam e também estrangulam os peixes.
São matutinos. Frios ou quentes. E também são bravos.
Rudimentares. Mas, acima de tudo, são olhos
sonhadores com a perspicácia de uma águia em fuga.
Rebusco-me. Alojo-me neles porque foi neles
que me encontrei e, logo, me perdi de vista.
Me recavem um espaço notável na memória.
Então, mais que depressa,
dobro o fio da lembrança
e guardo no coração.
sexta-feira, 23 de março de 2012
domingo, 18 de março de 2012
micro-crônica
Levo e deixo ir, ao parar, para ver até aonde vai.
Andamos, então, pelas ruas impregnadas de fuligem.
Pausa. A noite caiu e não vimos!
Não pergunte.
Apenas continue a movimentar suas pernas.
Observei pessoas embebidas de álcool.
E, mais alguns passos, senti cheiro de açougue.
Despistei o cheiro de morte imaginando o
perfume mais cheiroso que pude. Junto dele,
me veio boas lembranças. Mas que logo foram
evaporadas. Existia no ar
vários aromas que confundiam o olfato.
Respirei suave e abri os olhos.
E na dobra da esquina, garotas
se divertiam e riam alto com seus
copos cheios de qualquer bebida.
Não tenho destino. Assim como toda fumaça
que procura se assentar nas maçanetas,
no asfalto, no teto de algum túnel.
No ventre de uma grávida.
Aqui, em frente ao espelho vejo o peso da vida
acumulado nas olheiras roxas.
E, ao abrir o guarda-roupas, não existe nada além de
espantalhos pendurados. Tenho na mesa alguns
cigarros fumados, amassados com o amargor da boca.
Imprestáveis bitucas!
As garotas pedem outra rodada.
E riem com menos frequência agora.
Continuo descendo ao longo da rua.
Vejo um ônibus a rodar com luzes apagadas.
O vento arrasta algumas folhas que arranham o passeio.
E outros cães uivam para a escuridão.
Mesmo que trazendo algo ruim do destino,
o regresso pra casa sempre será algo bom.
As manhãs colidirão com as noites num choque que fará
o ser acordar, ou dormir mais que devia. Levando os corpos
num estado de latência e inércia.
Andamos, então, pelas ruas impregnadas de fuligem.
Pausa. A noite caiu e não vimos!
Não pergunte.
Apenas continue a movimentar suas pernas.
Observei pessoas embebidas de álcool.
E, mais alguns passos, senti cheiro de açougue.
Despistei o cheiro de morte imaginando o
perfume mais cheiroso que pude. Junto dele,
me veio boas lembranças. Mas que logo foram
evaporadas. Existia no ar
vários aromas que confundiam o olfato.
Respirei suave e abri os olhos.
E na dobra da esquina, garotas
se divertiam e riam alto com seus
copos cheios de qualquer bebida.
Não tenho destino. Assim como toda fumaça
que procura se assentar nas maçanetas,
no asfalto, no teto de algum túnel.
No ventre de uma grávida.
Aqui, em frente ao espelho vejo o peso da vida
acumulado nas olheiras roxas.
E, ao abrir o guarda-roupas, não existe nada além de
espantalhos pendurados. Tenho na mesa alguns
cigarros fumados, amassados com o amargor da boca.
Imprestáveis bitucas!
As garotas pedem outra rodada.
E riem com menos frequência agora.
Continuo descendo ao longo da rua.
Vejo um ônibus a rodar com luzes apagadas.
O vento arrasta algumas folhas que arranham o passeio.
E outros cães uivam para a escuridão.
Mesmo que trazendo algo ruim do destino,
o regresso pra casa sempre será algo bom.
As manhãs colidirão com as noites num choque que fará
o ser acordar, ou dormir mais que devia. Levando os corpos
num estado de latência e inércia.
sexta-feira, 9 de março de 2012
fragmento de dois mil e nove.
De repente, tudo se faz lágrima
que escorre sobre as cicatrizes
do amor que não é. Mas que um dia
foi o sorriso de estar amando.
De estar triste e dividir a tristeza
que diminuía entre os sorrisos
que surgiam entre um abraço e
várias frases do desalento cotidiano.
Lembro de revelar-te todos os
meus segredos: das coisas que
me deixavam triste às que me
faziam pisar nas nuvens.
Lembro-me de dedicar o dia,
não ao trabalho, mas sim de carregar
comigo teu sorriso, para que no
fim do dia ele se realizasse trazendo
de volta a fagulha que queimava
a carne que fervia e te ansiava.
Pergunto-me se relembrar o passado
é desprezar o presente, se é se esconder
às sombras de uma árvore morta.
Me respondo pra não me sentir vazio,
me respondo pra preencher os dias.
Me reencontro todos dias, parado
escrevendo, pensando e relembrando
tudo sobre dois mil e nove.
Ainda que nos dias nublados
tenhamos que nos preparar
para andar sobre as pedras.
Ainda que no fim da caminhada
eu me fira com os espinhos
de ter que carregar as lembranças.
Ainda que meus braços
nunca mais se encontrarão
após abrirem pra te receber
- Tenho nas palmas o toque
de percorrer-te languidamente.
que escorre sobre as cicatrizes
do amor que não é. Mas que um dia
foi o sorriso de estar amando.
De estar triste e dividir a tristeza
que diminuía entre os sorrisos
que surgiam entre um abraço e
várias frases do desalento cotidiano.
Lembro de revelar-te todos os
meus segredos: das coisas que
me deixavam triste às que me
faziam pisar nas nuvens.
Lembro-me de dedicar o dia,
não ao trabalho, mas sim de carregar
comigo teu sorriso, para que no
fim do dia ele se realizasse trazendo
de volta a fagulha que queimava
a carne que fervia e te ansiava.
Pergunto-me se relembrar o passado
é desprezar o presente, se é se esconder
às sombras de uma árvore morta.
Me respondo pra não me sentir vazio,
me respondo pra preencher os dias.
Me reencontro todos dias, parado
escrevendo, pensando e relembrando
tudo sobre dois mil e nove.
Ainda que nos dias nublados
tenhamos que nos preparar
para andar sobre as pedras.
Ainda que no fim da caminhada
eu me fira com os espinhos
de ter que carregar as lembranças.
Ainda que meus braços
nunca mais se encontrarão
após abrirem pra te receber
- Tenho nas palmas o toque
de percorrer-te languidamente.
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