quinta-feira, 26 de julho de 2012
Julho: tarde, noite e morte
Nas tardes o véu vermelho
cobre de sangue as ruas
e afogueia o céu azul.
Segue mansidão o mar
de gente olhando pro chão.
Julho se enterra na terra
pisoteada, esmagada, moída,
movida pelo rancor
de desejar mais um dia em teu seio.
-
Julho é sopro de sereia
entoando belas canções para
o corpo que se ausenta
e naufraga em água escura.
Julho é mais do mesmo,
é fim adiado da metade
de um começo brando.
É repouso em grama verde,
e no céu a imensidão do mar.
-
Lugares que gritam ao longe, mas não os vi.
Não alcançam mais as ondas que
quebravam aos meu pés.
Escuto, de distancia não calculada,
o salgado queimar e me lembro
do gole dos beijos que tomei,
e que agora lamentam
o silêncio de uma longa partida.
Os sorrisos que vi e que agora
tais lábios estão serrados para o amor.
Fogem para o alto notas
de um piano desafinado.
E fogem minhas mãos de
teus cabelos sedosos
tangidos com mortas açucenas.
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