segunda-feira, 30 de julho de 2012
Grow up.
Outras mansões foram erguidas aos arredores.
A terra continua batida, mas as árvores ganharam altura.
Na antiga garagem ao lado do pé de tamarindo,
não existia aquela mesa de sinuca. A entrada está devastada,
não era possível ver o céu, porém agora é a única visão que se tem.
As poucas flores que haviam lá, estavam morrendo sob o sol.
Crescera mato e grama ao redor da casa que cresci.
Mero descuido do atual proprietário.
O trio de pés de jabuticaba com mais de 30 anos
de cultivo e regadas intensas nos fim de tardes
que meu avô costumava ligar a mangueira
e esquecê-la ali, só pra nos dar enormes frutos na época.
Quem dera se soubessem eles que
umas das poucas coisas que exijo do mundo fosse que aquilo
nunca mudasse. Mas as pessoas mudam e o mundo, de forma
cruel, responde a altura.
O lugar que se descobre o mundo
é também o lugar que se enterra a infância.
Porque a memória é âncora e também é vela.
Fica pra trás todo esse momento que o vento
soprou pra longe, para acordar dias mais tarde
e mais maduro como os morangos de fim maio.
Trago em mim o mundo que criei e que recrio
toda vez que ele para de girar. Não se mata
o passado e também nenhuma flor.
Não se esquece da inocência nem da dor que um dia foi deixar
a terra em que andei descalço para calçar meu sapatos.
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