quinta-feira, 30 de junho de 2011

poema

I
que se faça fogo, afeto
oh! cúpula curtida do sol
com gramíneas e acácias
ornadas com idocrásios
eleva te, lamúria dos dias
que ao paladar nos vem
o doce de mostajo com
uma pitada de desdém

II
à raiva te dou a ligura
e uma flor de sândalo
dê me efúgio de cintura
sem euforia nem escândalo
sereno orvalhado relento
pois meu peito se abre
a jorrar amor infrene
de ouro e prata nobre

III
a dor dorme, eu sei
no pé do jamboeiro
na casca da mexerica
a alegria está acordada
eu sei, e nunca dorme
não no meu margaridal
não há raízes do mal
e sim pétalas pruinosas

IV
voe daqui pra onde há
um cristalino itororó
que sol cintila sem dor
lá sinal de tempo é
lodo de pedra, e só
e que o vento me leve
mas bem de leve
nas folhas que caem só

sábado, 25 de junho de 2011

Praça Tubal Vilela

na rua esmagada de pedestres e pneus
esconde nas entranhas da cidade
uma história invisível à humanidade
mas não escondida ao olhos meus

chão quente que já foi terra no passado
pessoas atormendas com prazos a cumprir
a essência se evapora desse ser calado
contabilizo mais uma alma a se esvair

mais a frente vejo na praça uma fonte
jorrando água, exibindo formas
sem se preocupar com quem olha

no canteiro uma árvore se desfolha
em baixo dela muitos seguem normas
na esquina, me perco no horizonte.

terça-feira, 14 de junho de 2011

poema

peço-te para que deites junto a mim
mesmo que eu adormeça sem te ver
pois tenho certeza que vou sonhar
com teus braços envolto aos meus
com teus cabelos sendo levados
pelo vento que almeja te alcançar
e sentir o doce toque da tua boca,

e repousar sobre tua pele
quente, macia e cheirosa e ter
tua presença serena que me faz
sonhar acordado, que me faz
trocar os passos do coração que
bate no ritmo de tua respiração
à meia luz da lua desnuda no céu
quero estar fora de mim,

e que tudo continue assim: tenro
sem as manchas da saudade
sem maldade nem pecado
com a plena certeza de te ter
bem aqui ao meu lado.

sábado, 11 de junho de 2011

Bocage (aos meus olhos)

Por esta solidão, que não consente
Nem do sol, nem da lua a claridade,
Ralado o peito pela saudade
Dou mil gemidos a Mariana ausente:

De seus crimes a mancha inda recente
Lava Amor, e triunfa da verdade;
A beleza, apesar da falsidade,
Me ocupa o coração, me ocupa a mente:

Lembram-me aqueles olhos tentadores,
Aquelas mãos, aquele riso, aquela
Boca suave, que respira amores...

Ah! Trazei-me, ilusões, a ingrata, a bela!
Pintai-me vós, oh sonhos, entre as flores
Suspirando outra vez nos braços dela!