sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Nenhum amor. Nenhum nada.


Um poema não deveria começar com a palavra amor.
Nenhuma refeição deveria ser aproveitada sozinha.
Uma criança não deveria crescer sem brinquedo.
Um bolo não deveria ser poupado no seu aniversário.
Nenhuma música deveria ser tocada, sem tocar alguém.
Nenhum quintal deveria existir sem alguma criança.
Nenhum piscina cheia deveria se encontrar vazia.
Nenhuma adeus deveria ser a última esperança.
Nenhum pássaro deveria deixar de bater sua asas.
Nenhuma lágrima deveria ser espremida pela tristeza.
Nenhum amor deveria ser motivo de sofrimento.
A lua não deveria iluminar um homem sôfrego.
 
Nenhuma flor deveria ser arrancada da terra
para algum amor provar.
Nenhuma promessa deveria ser feita
sem a certeza de ser cumprida.
Nenhuma distância deveria esfriar
o que o calor de um sentimento aqueceu.
Nenhuma chuva deveria cair
sem alguém tirar um segundo para apreciá-la.
O tempo não deveria fazer com que esquecêssemos
coisas importantes como vontade e esperança.
Nenhum domingo deveria passar despercebido
sem ser notado pela preguiça de sua tarde.
 
Nenhuma carta é de amor, senão conter seu perfume.
Um perfume não é teu, senão me causar mais amor.