terça-feira, 25 de setembro de 2012
sketch
Quantas vezes vi rostos pustulosos,
e corpos sonolentos com semblantes
ilegíveis, e mesmo assim emergiam-se para
para comer mais uma fatia de alegria.
Alegria lúcida ou lunática. Talvez de tempática --
como diria um filósofo: Odi, ergo sum!
Não, ouvindo de longe um murmuro,
a veia não salta para bailar ao som
do coração. É um desamor de olhos
esfumados, um assucador estragado que
não separa de forma clara o que se sente.
(Ora! Quanto fragor estes vizinhos fazem
que mal consigo espremer as palavras aqui.)
O que surge entre a poeira
e a transparência vidrada de um
olho entreaberto, é o que levo de
lúgubre: a decência de um homem
a procurar por seu cão a muito abandonado,
que carrega a dubitável turgência de
viver sem amar.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
um olhar sobre a política.
Tebas, recém chegado na vida
colocado perante o trono em choro
não sabia que estava indo contra
os canhões da ira humana.
Das certezas de Tebas, filho
único do rei, um solitário glorioso,
desamparado de uma infância
sem qualquer infância assim causada,
certamente pelo seu clico
selado pelo anel da realeza,
ficaria a de que seu destino se
resumiria em governar povos.
Torcia o nariz pelo que
achavam a seu respeito do pleito
de reger a destreza de seu pai.
E assim o fez: tornou se
escritor, poeta e filósofo:
caminhava entre as barracas
e nunca comprava uma vestimenta
sequer. Perguntavam-lhe
porque tanto olhar e nada comprar;
respondeu-lhes que nada mais
distraía o olho da sensatez
do que a ilusão de possuir a matéria
provida visando a riqueza.
E foi contra todas as verdades
estabelecidas pela crença
de sua era.
E assim, como todo pensador
fora do quadro, acabou sendo
executado em praça pública
a mando do herdeiro subsequente.
Enquanto aguardava sua execução
dizia que a introspecção filosófica levava
o ser a superar a dor, a doença
e até própria morte.
Tebas, sem escritas disseminadas,
morreu despertando na civilização
os canhões das falsas verdades
hierárquicas conduzidas
pelo cego poder de liderar.
"Eu não acredito num homem que trabalha
para melhorar a vida de outro homem".
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
para antes do amor
Parto então mar adentro
me parto em tais partes
e antes que atinja o fundo,
amanheceu o novo mundo.
Na trilha que percorreu só
deste lado, destilado em pó.
Onde a curva do teu seio
percorro em sussurro.
Frizante e colante na beira,
corrente de vento marítimo,
foice em linha no rosto
meu coração fora do ritmo.
Teu véu se abre como flor
de primavera, teu rosto
untado do óleo irradiado
do poço do novo mundo.
Assinar:
Postagens (Atom)