sexta-feira, 29 de julho de 2011

O passado dói

se já não quero mais
a brisa passa ao meu lado
se já não quero mais
volto ao meu passado

passado que me causa angústia
do momento que me senti perdido
procuro ser nada do que fui antes
nada do que eu antes queria

do instante faço o momento
do momento faço o sentimento
e não me acho mais perdido

a brisa vem e me diz:
- essa é a mesma sensação,
a pálida sensação de ter partido

terça-feira, 19 de julho de 2011

Monólogas Rimas

a paz natural de um ser
vem da elegia de viver
dos abismos, do poder
do andar, do sentir e do ver

é necessário crer
em algo pra se ter
que possa tocar ao ler
e aos olhos encher

e tudo nisso a alma dissolver
um novo sentimento erguer
e um novo ser renascer

porque a paz de um ser
nasce daquilo que faz tecer
um infindável manto de prazer

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A esperança de amar (outra vez)

Em tempo, ao olhar pro tempo
não é mais possível escandir
não é mais palpável sentir.
Se solidificou, como a lava
quente encontrando o mar.
Por mais que se deseje de novo,
deste momento pra trás
nada existe, é tudo desvalia.

É algo voraz, feroz e clavo.
E vai deixando seus galimos
Tornando impossível mentir
a esqualidez de ser e estar.
As copas que desfolharam
formaram uma serrapilheira,
um mausoléu de folhas secas.

Cuja função foi enterrar o que
morria e que estava de pé.
E que servirá de sumo para
um novo plantio, uma nova safra.
Novas estações virão e, quem sabe,
em meio a tantas pedras,
um novo amor florescerá.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Soneto Inértico

há um silêncio carregado de verdades
no âmago das minha convicções
dentre todas as realidades
me inclino a que tive dois corações

maldita gravidade que me puxa
pra dentro de mim em qualquer canto
numa sala escura e murcha
não se ouve nada além de pranto

eis que isolado me encontro
e escrevo pra não ficar
mas que [des]companhia agradável!

mensurável até certo ponto
pois quando chego ao fim
só me resta um coração a bailar