domingo, 22 de julho de 2012

Julho: manhã

Pois revive o pássaro para cantar o dia que nasce.
Raia o dia e faz-se a luz penetrar na tez,
luz que alimenta jasmins e espalha perfume.
Rutila as brumas matinais,
de cores primárias se pinta o dia
e ruboresce no céu gelado as nuvens
vaporosas de Julho.
É de um brilho intenso que se
faz o frio que arde na dormência cortante do toque.
Dos pelos em riste ao narizes vermelhos.
Dos movimentos lentos à voz trêmula.
Do vento seco ao galho tombado.
O solstício se vinga e não há arrebol
alaranjado no horizonte distante.
Logo o dia vai se pôr novamente
e logo a noite desabotoará o vestido da madrugada.
Para que no fim de julho as parreiras dêem o fruto da geada.
Para que no fim as pessegueiras sejam colhidas com o
orvalho deslizando na casca como lágrima que escorre no rosto.

Um comentário:

guilherme e. meyer disse...

Bem massa os teus poemas, curti bastante o conteúdo, o vacabulário rico, o ritmo dos versos (não que eu entenda algo sobre qualquer uma dessas coisas hehe). Parabéns mesmo, sincero abraço,

Guilherme.