segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O dia em que ouvi o nome dela

Era uma noite sem estrelas,
não era noite de sábado,
tudo estava ali, tudo era calmo.
As ruas eram geladas e vazias,
os letreiros desligados,
os semáforos em alerta,
os telhados pardos sob a luz fria,
o vento estava estático
e o silêncio dominava, outra vez.

Num interior de pouca luz,
e algumas mesas de madeira,
com paredes pretas e rabiscadas
e outros letreiros acesos,
havia essa garota.

Ainda reconstruo os detalhes
que levaram certo tempo
para serem criados, e que ficaram
como cicatriz na lembrança:
a maquiagem desenhada,
cabelos compridos e lisos.
O batom vermelho morango
na boca de sorriso largo e mortal.
A sombra dos olhos realçavam
um olhar que trazia sensações e
que faziam pouco até de mim.
Eram olhos que se enchiam de vida
e recriava a vida em cada gargalhada
que agitava o cabelo como ondas no mar.
O sol brilhava atrás de seu rosto,
e iluminava todo lugar, e as paredes
não eram mais escuras.

Não sei se vou rever Vêronica,
mas sei que o aroma das flores
sempre volta após o inverno.

domingo, 23 de outubro de 2011

Outubro

No Outubro que se vai, seus ventos gelados chegaram aqui atrasados porém, não tardaram em trazer a primavera como sempre se via. Na grama verde-bandeira de folhas com pelos brancos , os insetos que vaguearam durante toda a noite, jazem na terra úmida. Nas vorazes manhãs nubladas, os poucos raios de sol são mais nítidos, mais quentes, mais ávidos e esperam ansiosos para evaporar o orvalho que enfeita o túmulo desses pobres bichos. Nos rostos, o rubor é quase natural e se destaca fácil quando apontam para o céu de nuvens carregadas fazendo o olhar se perder e imaginar: em que ponto nesse frio azul é possível sentir passar a calmaria de uma brisa bem aqui, na terra?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

trecho

Sobre sair e se divertir

No centro da cidade, onde qualquer cidade não dorme durante a noite, nas noites de sábado, toda a agressividade humana se concentra em um propósito comungado pela maioria das almas que preenchem o sereno da madrugada de domingo. Veias quentes, mentes turbulentas cheias de problemas colecionados durante semana inteira. Onde tudo se afunila rumo a um único objetivo: esquecê-los por um momento, por uma noite e talvez, por alguém.
Ver as ruas úmidas e algumas casas com a luz apagada faz ascender a febre de andar e descobrir quem criou aquele ambiente tão instigador. Por andar a procurar um sentido pra estar onde se está e cometer pesares sobre a carne que se agita com o passar das nuvens sob a lua no céu de noites que só quem saiu e olhou pra imensidão do céu negro, descobriu o quão a vida pode ser agradável aos olhos de quem sabe enxergá-la.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sobre amar

Não pertenço às coisas que me convém
Estar em um lugar, é estar tudo bem
Amar uma mulher é algo além
do que os próprios sentidos veem.

Não quero amor que arda, que machuque,
quero flores perfumadas que sequem
Que deram sua vida por um deslumbre
Aos olhos que viram as mais belas

Qual manha não acorde cristalina
depois de ouvir um bom dia
e um sorriso vindos de sua boca?

Entre tudo que há de belo - você
No céu negro uma estrela - você
Nos olhos tristes, no pensamento,
onde piso, onde me deito - você.