quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Onde estará você, B. Galdino?
Não sei se às vezes estou sóbrio ou embriagado.
Tanto faz.
Já não sei mais se é quarta-feira ou sábado.
Não me importo.
É tudo quente tanto que adormece e faz delirar.
O vento já não sopra mais ao meu favor.
Estou velho e cansado...na verdade mais
cansado do que velho, mas é justamente
esse cansaço que deixa o novo velho.
Enfim, tudo se encontra num balanço mediano.
Tudo é calmo no sono. Nem sonho nem pulso.
Só escuro, silêncio e solidão. Como deveria ser.
Sem retorno ou esperança do dia seguinte.
Você só está vivo porque não tem poder
para parar de fazer seu coração bater.
E mesmo assim continua acordando.
Acordando pra ver pessoas e a cidade.
A cidade, uma conexão dos humanos.
A invenção da civilização e seus valores.
Quem somos ali no meio?
Uma parcela tão pequena, quase insignificante.
Tanto faz.
É o pensamento condensado em luz turva.
Não há como recobrar a memória.
O delírio infestado de loucura está no beijo.
Embriagado é melhor. Mas isso não importa mais.
É impossível fugir quando se está vivo.
Ao acordar, tudo volta do enjoo ao vômito.
Mas quem se importa? Eu não me importo.
Não mais.
Tanto faz.
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