sábado, 30 de junho de 2012

Quinta dos Bosques



Ouço o frio vento que se curva sobre o escuro,
e logo o silêncio cincina num bruto açoite.
O breu se esfacela, e a noite é mais
escura instantes antes do dia nascer.
Ascende o sol de inverno em bel-prazer,
enxuga o sereno acolhido pelos muros
de tijolo cru. Numa poça d´água alguns
pássaros se banham pra depois alçar largos vôos.
Belas são as brumas das estorças gotas,
transbordando em corações lacerados.
Belas são as manhãs em que uma canção
acorda o dia impermisto porque de natureza prava
somos feitos e seguimos relutantes.
Estive com gente vivida,
e vi que a surpresa da vida
é viver a surpresa que se espreita.
Andei por ruas de terra arada, e vi
os velhos de chapéu em frangalhos,
camisa com manga arregaçada. Arrastando
enxada, enrodilhando mato morto e
fumando cigarro de palha enquanto
assistia o mato virar fumaça amarelada.
Essas terras me trouxe algo que antes não
conhecia, e que agora vejo que sempre
esteve aqui, mas o tempo o deixou em ruínas.
Belos são os manguezais que deixei pra trás.
E agora o passado é turícremo porque um
dos velhos deixa a metade de uma romã
para as mulatas comerem e a outra metade
ele come.
Agora o passado foi jogado ao rio do destino
incerto, porque umas das rendeiras mexe no tacho
de cobre, o sabão de amanhã.
O chão rachado, a terra vermelha, as flores
brancas das mangueiras anunciam frutos
para setembro.
Porque é tudo ciclo e até lá o presente sopeará
em vários tempos:

Tempo de plantar, tempo de colher.
Tempo de encontrar, tempo de perder.
Tempo de apagar, tempo de escrever.
Tempo de matar, tempo de viver. 
Tempo de amar, tempo de morrer.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sabe, existe dentro de nós um instinto idealizador de algo que não sabemos bem o que é, nem todos somos iguais. Não se conheciam de todo e dependiam de mais paciência para ajustar a convivência e harmonizar as personalidades. Ele tinha razão não era o caso de discutir. Os olhos são uma boca mais honesta, mas não admitiu desculpa, descartou sumariamente como se fosse uma mentira, é evidente que ele se fechou, achando que era excessivamente ansiosa e temperamental. A poeira não vai baixar, pois jogou toda terra nos olhos dele...porém a sensação é que entendeu assim.Transbordamos de arrogância, crescemos com a certeza de que algum dia- mais cedo ou mais tarde- seremos enganados.Quem pode desfazer equívocos...isso é uma obsessão quem vem com a razão está com as mãos ocupadas de si mesmo, ocupado demais para dar-se a outro.Me sinto culpada me colocando no centro do que aconteceu.Me sinto a mais problemática entre todas, aquela que tem o maior mistério abominável que nem ela mesma sabe qual é.