Figura incansável que foste nascido
do teu choro murmurado ao mortífero
silêncio caído na areia.
Perseguem os homens sob o sol,
cambaleiam todos tontos sob a noite
e cantam envolta da fogueira.
Um esboço leitoso do passado:
Dos rostos que vi e nunca mais verei.
O céu agreste já ia se alaranjando
no horizonte estrelado.
Até ficarem imóveis as folhas das palmeiras.
Até silenciarem todas as sereias.
Até os amores se perderem com mil pegadas na areia.
Até o último sibilo de ternura ou,
enquanto se darem por abatidos
e anestesiados todos os corpos.
O cheiro da maresia ardia as narinas
e o mar banhava alguns troncos
velhos e retorcidos na praia.
Lentamente a derriça se fazia
esflorar o desejo incandesceste
que também queimava em pleno mar.
Logo vi jasmins molhadas de amor.
E a carne queimava por encasar-se no camafeu,
ao longo corpo nu.
A noite vinha e se tornava beliz de olhos
arranjados ao vapor salgado misturado
com areia, e com ela o sabor das conchas,
o sabor do seios arredondados - apertados
com as mãos trêmulas e atadas ao consumo
de todos os desejos naquela hora.
Lentamente as ondas caminhavam para a morte
de seus esforços. E gotas surgiam
da fissão dos troncos. O mar se agitava
embalando o clarão do despertar...
Até as palmeiras retorcerem e secar todo líquido.
Até o vento soprar de volta todo o sal
provocado entre os corpos que a chama consumiu.
Até a maré vir e recolher todos estilhaços.
Até as sereias voltarem com seu canto encantador,
embalando o sono sob a chuva quente
que deslisava cuidadosamente nas curvas
dos nossos corpos nus.
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