sexta-feira, 23 de março de 2012

sobre os olhos de Suellen.

Aqui, as manhãs vociferam.
E entre as sombras quebradas da luz turva,
me lembrei que  Suellen  pediu um poema...

Ah! As mornas manhãs de março ainda tem seu valor.

Ainda me recordo dos rubejantes olhos de Suellen.
Aqueles olhos que gritam em silêncio,
que reverbam o som da alvorada.
Aqueles olhos que brotam
orvalho das madrugadas.
São olhos pequenos os de  Suellen ,
e que ficam ainda menores
quando seu sorriso se abre.
Vi seus olhos de perto e, sim  Suellen ,
seus olhos me recitam versos.
Versos indizíveis. Versos invisíveis.
Não me permito o surto,
o afago atroz de cometer enganos.
Nem a verdade por debaixo
das montanhas me cativam mais.
Mas posso dizer ao ecumênico infinito
que  Suellen  é ternura gazil
de luares quentes de março.
Suellen usa uma cajila blusa de cetim azul noite,
lisa e macia, assim como a pele de seu rosto.
Entre palavras espaçadas, meus olhos
descansam no seu rosto, anulando o sofrimento.
Desaparecendo até mesmo o  sofrimento
da voz  de um enfermo moribundo.
Mirifico novamente seus olhos,
agora eles estão mesclados com a noite.
Uma noite de cor azul-negro.
O negro de seus miúdos olhos
que vagam no ar como dente-de-leão
soprados no vácuo, e lá ficando
à mercê de um vendaval de maravalhas.
Faço uma rápida introspecção.
Agora eles me deixam imoto.

 - Ah! seus olhos são um rio de emoções, menina!

Fluem com avidez. Se mexem com eviterno
deslumbramento das cores das algas envoltas
pela água fresca do rio.
Eles (os olhos de  Suellen) podem tudo; eles
amam, eles odeiam e também estrangulam os peixes.
São matutinos. Frios ou quentes. E também são bravos.
Rudimentares. Mas, acima de tudo, são olhos
sonhadores com a perspicácia de uma águia em fuga.
Rebusco-me. Alojo-me neles porque foi neles
que me encontrei e,  logo, me perdi de vista.
Me recavem um espaço notável na memória.
Então, mais que depressa,
dobro o fio da lembrança
e guardo no coração.

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