Não sei se vivo, mas ainda escrevo pra você.
Onde, nas noites que não penso em você,
estou flutuando sobre o céu de pinheiros,
sobre o céu de macieiras nos canteiros
da avenida escura à beira da crua mercê.
O farol do aeroporto me indica algumas
nuvens que andam rasteiras, assim,
roçando o focinho nas sombrias dunas
revelando a mais quente e viva lua.
Caminhadas de membros amputados.
Lembranças de corações partidos.
Amores com cicatrizes - mutilados.
O farol ainda brilha, aviões decolam
aqui nessa cidade com monstros de véus.
As noites não quebram mais a angústia
de viver de esperanças às sombras
de algum dia o fecho de luz iluminar
não as nuvens mas, sim, seu rosto novamente.
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