sábado, 28 de abril de 2012
meu empacho (ou o mês de maio)
A maio que se inicia.
Porque, dentre todos os meses,
maio traz consigo a polidez
das manhas mais frias e agudas.
A maio que cresce.
Porque o barbante se desvincilha
descobrindo a pálida tez de
seu próprio brilho.
A maio que aprende.
Porque o sol crucita
às margens do corpo batido
lancetando a carne crua.
A maio que grita.
Porque a luz de maio culmina
e os pássaros não gorjeiam
mais cantos alegres.
A maio que se cala.
Porque a terra se faz improlífera
e inabitável. E os que aqui vivem,
vivem de forma inatista.
A maio que adormece.
Porque o brado do homem
faleceu no seu peito. Frio
como o coração do diabo.
A maio que desperta.
Porque o sorriso segrega
da alegria e resvala em lágrimas
de chuva ruminante.
A maio que envelhece.
Porque a senilidade se torna
mais luculenta. E os passos
exauridos caem por terra.
A maio que morre.
Pois, assim como tudo que
está sujeito ao evo, também
está sujeito ao extermínio.
Escrevo então no epitáfio
de Maio: Outros de você virão
E neles não haverá mais você.
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