sexta-feira, 2 de novembro de 2012

É do tempo se estugar



Move tão depressa as asas do beija-flor
que plaina sobre o pedregulho no quintal.
Dias de violentos arrebóis e a ternura da noite
sucumbe sem revelar por de trás das estrelas
o rubor estilhaçado e a melancolia
dada aos que tem sede - sede de amar e
sede do amor. Sede de flor colhida prematura.
Cabe, então, retirar a canga de madeira
e andar sob silenciosas tardes cor jaspe,
reconciliado de cicatrizes deste céu arado.
Cabe, então, visitar a velha amoreira do
canteiro que não precisa mais do toco
de caibro para se erguer sozinha.
Ainda que raro, ver as flores da nogueira
se abrirem após a chuva e após a chuva
ver as poças refletirem o sol
num espelho incandescente.

 Então, em retiro de falsa exaustão,
o recolhimento se faz necessário
em pequenos goles de garapa.
Logo depois, minuir os passos na
calçada que levam até feira
mais próxima às sextas-feiras.
Desatinar-se do que é realmente assaz
e execrar o fim como se o fim fugisse
de fora pra dentro trazendo consternação.
E nesse funil aceca, as nuvens passarão para
o inabalável gorjeio matinal, descerão
diretamente para o oeste da cidade e se
espairecerão num mudo lampejo pardacento.

Tão lento agora é a asa do beija-flor...
que permanece in loco a seguir no
seu ingênuo caminho dos roseirais de verão.
Tão monocarpo sois vós
que seria um  pecado sem redenção
consumir de tão bela hóstia para tornar-se
um eterno escravo a mendigá-la mais uma vez.
Rápido e fugaz, é de encontro ao mar que o rio
se sustenta tão imponente. E é no fundo rio
do teu corpo que vivem os mais belos
e raros peixes  Inalcançáveis para quem anseia
vê-los e visivelmente brilhante para quem olha
no fundo dos teus olhos.

Nenhum comentário: