terça-feira, 23 de outubro de 2012

poema


O cemitério de libélulas


Uma lugar triste, o cemitério de libélulas.
Era cercado de medronheiro nascidos mortos,
entretanto, havia no centro das tumbas uma flor
que vivia a vida de tudo que pulsava e tinha cor.
Tal flor, com desprimoradas pétalas negras,
vivia de luto velando a morte ao seu redor.
Os cabelos do sol não alcançavam ali,
e o uivo do vento entoava o amargor.
Uma a uma, libélulas zumbiam rumo à
luz negra que surgia  das entranhas da terra
como armadilha de doce alimento.
E ali mesmo as consumia. E ali mesmo
o escuro ganhava força.
Porque a vida de um inseto é curta.
E o sol arde nas asas de um véu poroso,
pois a vida e a morte tem sede dos eloquentes
e rufantes devaneios dos pequenos seres que
são consumidos pelo primeiro indicio
de vida após a sua própria vida.

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