domingo, 18 de março de 2012

micro-crônica

Levo e deixo ir, ao parar, para ver até aonde vai.
Andamos, então, pelas ruas impregnadas de fuligem.
Pausa.           A noite caiu e não vimos!
Não pergunte.
Apenas continue a movimentar suas pernas.
Observei pessoas embebidas de álcool.
E, mais alguns passos, senti cheiro de açougue.
Despistei o cheiro de morte imaginando o
perfume mais cheiroso que pude. Junto dele,
me veio boas lembranças. Mas que logo foram
evaporadas. Existia no ar
vários aromas que confundiam o olfato.
Respirei suave e abri os olhos.
E na dobra da esquina, garotas
se divertiam e riam alto com seus
copos cheios de qualquer bebida.
Não tenho destino. Assim como toda fumaça
que procura se assentar nas maçanetas,
no asfalto, no teto de algum túnel.
No ventre de uma grávida.

Aqui, em frente ao espelho vejo o peso da vida
acumulado nas olheiras roxas.
E, ao abrir o guarda-roupas, não existe nada além de
espantalhos pendurados. Tenho na mesa alguns
cigarros fumados, amassados com o amargor da boca.
Imprestáveis bitucas!
As garotas pedem outra rodada.
E riem com menos frequência agora.
Continuo descendo ao longo da rua.
Vejo um ônibus a rodar com luzes apagadas.
O vento arrasta algumas folhas que arranham o passeio.
E outros cães uivam para a escuridão.
Mesmo que trazendo algo ruim do destino,
o regresso pra casa sempre será algo bom.
As manhãs colidirão com as noites num choque que fará
o ser acordar, ou dormir mais que devia. Levando os corpos
num estado de latência e inércia.

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