sexta-feira, 9 de março de 2012

fragmento de dois mil e nove.

De repente, tudo se faz lágrima
que escorre sobre as cicatrizes
do amor que não é. Mas que um dia
foi o sorriso de estar amando.
De estar triste e dividir a tristeza
que diminuía entre os sorrisos
que surgiam entre um abraço e
várias frases do desalento cotidiano.

Lembro de revelar-te todos os
meus segredos: das coisas que
me deixavam triste às que me
faziam pisar nas nuvens.
Lembro-me de dedicar o dia,
não ao trabalho, mas sim de carregar
comigo teu sorriso, para que no
fim do dia ele se realizasse trazendo
de volta a fagulha que queimava
a carne que fervia e te ansiava.

Pergunto-me se relembrar o passado
 é desprezar o presente, se é se esconder
às sombras de uma árvore morta.
Me respondo pra não me sentir vazio,
me respondo pra preencher os dias.
Me reencontro todos dias, parado
escrevendo, pensando e relembrando
tudo sobre dois mil e nove.

Ainda que nos dias nublados
tenhamos que nos preparar
para andar sobre as pedras.
Ainda que no fim da caminhada
eu me fira com os espinhos
de ter que carregar as lembranças.
Ainda que meus braços
nunca mais se encontrarão
após abrirem pra te receber
 - Tenho nas palmas o toque
de percorrer-te languidamente.

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