Sem estação
Ah, o calor, o pulso quente
o fluxo ardente, espumado - O sal da carne libertado.
O coração gebado em chama
elena, faíscas quicam no ar
O coração gebado em chama
elena, faíscas quicam no ar
e não se apagam, não morrem
- esquentam mais e mais até
ascender em fogo brilhante.
De manhã o sol é comportado
lá no mais alto empíreo se faz
a luz que não dói, não fere.
Pela tarde, devasta as ruas e
obriga a todos se esconderem.
Sinto os pulmões queimando,
dos olhos saem arilos e eles
caem no chão evaporando.
Sobrevivem nos jardins áridos
alguns animais e plantas estivais
Não há árvores frondosas: só
galhos secos e contorcidos que
lembram obras esculturais.
Na caatinga há o fogo-natural,
as cascas se incendeiam
e as sementes germinam.
as cascas se incendeiam
e as sementes germinam.
Nas noites de sono incubo
o sonhar é latente, enfelujado
da fumaça negra dos carros.
Da fatigante busca por uma
posição que me traga paz.
Depois de um jornada enerve,
um torvelinho que seja
quente ou seco, já me serve.
quente ou seco, já me serve.
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