Na iminência das férias
A luz de Novembro esmaece
numa suave e leve esqualidez,
é possível ver com nitidez
os dias do próximo mês.
Luz que infiltra sob a tez,
luz que machuca sem vez,
luz que alimenta os ipês.
O vento sopra sobre as folhas
da bananeira ensopadas de sereno,
que dançam sem ritmo algum.
Na terra úmida e escura
alguns galhos com frutos
ainda em estado de flor.
De uma cadeira de vime,
comerá uma manga de vez
com sal e sentirá o primor,
o sabor dos meses passados.
Pela fome de estar a ruar e
acordar muito tarde do dia.
As rubincudas amoras do canteiro.
O caldo de cana da antiga estação.
As goiabas vermelhas da vizinha.
As lichias do mercado ceasa.
As uvas Itália do casa da vovó.
As mexericas da feira de sexta.
As laranjas do vendedor ambulante
Os eventuais maracujás com açúcar.
É um regresso pérfido.
Os aromas são acessíveis,
e o calor não encorpa o marasmo.
As manhãs são vazias,
as tardes sonolentas
e as noites chegam rápido.
As horas não preocupam,
porque os dias são opacos.
Dezembro tem um rosto triste
e a primavera chega ao fim.
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