quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Janeiro.



Os minutos se estendem como se cada um deles tivessem seiscentos segundos.Tudo se move tão lento que uma pequena brisa tem duração de uma tempestade. O céu de Janeiro eleva a poeira que traz a  dulçor a garganta, traz o que é puro nos instantes antes de acontecer o que sempre ouvimos pra depois dizer: 
— Está chovendo! Logo marquises começam a pingar escuras gotas de poeira preta, gotas de fuligem lavada. O sol está lá como alguém a olhar a chuva indiferentemente reprovando aquele aguaceiro sem preliminares. Os lentos ventos que antecedem uma calma chuva durante o dia sempre evocam-me uma cena do filme American Beauty de 1.999. Com foco em uma sacola plástica que vagueia pelo vento, em meio as folhas secas que se arrastam por muito tempo num pequeno espaço tocando o chão, subindo e descendo novamente em várias direções e movimentos, a cena é algo vertiginoso e ao mesmo tempo uma inércia estonteante. Talvez pela falta de tato temporal, eu não saiba a duração da tomada. Mas há um quadro entre a cabeças de dois jovens que assistem tudo de um sofá enquanto dialogam sobre a vida enquanto o filme segue sua sequência normal.

Eu dialogo, após todas as sacolas e lixos serem revirados pelo vento da chuva, algo como: 
— Andar sob a chuva é como andar entre ruínas. Ou, entre os respingos é possível ver o brilho de uma estrela...
Então todos os minutos atrasados tomam de rompante o estado normal, descarregando tudo no vago formado pela sensação de lentidão. Uma luz brilha e arde com tanta pureza, pois é a chuva, o colírio do mundo. A garganta já esparsa, mata a sede na lágrima.

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