domingo, 13 de janeiro de 2013

Um dia nublado


Vi a manhã com grande susto: tudo morto!
Estou morto, pensei.
Impossível! Ainda posso sentir o
frio nas mãos, na espinha em
todo lugar como se a morte
tivesse achado seu lar.
O vento estriado me traz
o veneno da vida, o açoite dos
desejos, a chibatada dos por quês
que estrelecem os por que não?

Porque é domingo de manhã,
e o sol brilha por trás de uma
cortina de fumaça.
Porque é domingo de manhã
e meu sangue flui como as
baixas nuvens cinzas.
Na última dança havia todo
o sol que meus olhos
puderam aguentar.
Na última dança, o sangue se
esgotou da taça de vinho até
meu corpo não aguentar.
O dia está de luto porque
morri mais um pouco e numa
dessas manhãs não
haverá mais céu.

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