quinta-feira, 30 de junho de 2011

poema

I
que se faça fogo, afeto
oh! cúpula curtida do sol
com gramíneas e acácias
ornadas com idocrásios
eleva te, lamúria dos dias
que ao paladar nos vem
o doce de mostajo com
uma pitada de desdém

II
à raiva te dou a ligura
e uma flor de sândalo
dê me efúgio de cintura
sem euforia nem escândalo
sereno orvalhado relento
pois meu peito se abre
a jorrar amor infrene
de ouro e prata nobre

III
a dor dorme, eu sei
no pé do jamboeiro
na casca da mexerica
a alegria está acordada
eu sei, e nunca dorme
não no meu margaridal
não há raízes do mal
e sim pétalas pruinosas

IV
voe daqui pra onde há
um cristalino itororó
que sol cintila sem dor
lá sinal de tempo é
lodo de pedra, e só
e que o vento me leve
mas bem de leve
nas folhas que caem só

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