terça-feira, 27 de agosto de 2013
poema
Incumbido de carregar o próprio peso,
visto-me no barco de carpintaria.
Visto-me de pétalas negras que cultivei com ódio,
com rancor da fúnebre tristeza do carvalho.
O mundo com seu próprio peso já me basta.
Já me basta esta vida de cacos e estilhaços
que cortaram outros.
Já me basta o dia do amanha, o dia que passei
sem ter algo...algo que tive de matar por dentro;
já me basta o pólen derramado não fecundado.
Vazio. Profundos acordes de mar calmo.
Sem tempestades de atordoamento.
Luz sem brilho, sombra sem ser.
Correnteza sem fluir.
Salmões sem salto.
Sangue sem coração,
coração sem batida.
Incumbido de remar
por um mar sem cais.
O naufragar é o silêncio
pelo por do sol que se esconde
atrás do horizonte ao entardecer.
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