carregado de sal do mar
nos cabelos que permeia
pés afundados na areia
sentada numa cadeira
de vime eu te vi, ali com
chapéu, óculos e tanga
cheirando a bronzeador
tomando suco de manga
vez e outra a maré
vinha tocar te os pés
mas sumia que areia
se esvaía como magia
e úmida assim se ia
apagando todos rastros
de mil passos até você
quisera eu te alcançar
sem morrer na praia
quisera eu lançar te
brisa pra que ela volte
com teu cheiro pra mim
quisera eu, você beber
de mim, e navegar assim
no sangue em suas veias
quisera eu não ser só
e todos meus mistérios
no fundo guardados
meu escuro, meu silêncio
são a ti reservados
mas aqui fico lançando
ondas, braçadas em vão
na expectativa de ver
profundo mergulho seu
na imensidão deste mar.
...e que continua a me inspirar.
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