terça-feira, 6 de setembro de 2011

O dia em que tudo acabou

nas noites de céu sem estrelas
nos suspiros que dei na janela
na mesa de jantar dois pratos,
um pra mim e o outro dela.

teus casacos, teus sapatos
no cabide teus vestidos,
onde era nosso abrigo
o sol já não entra mais

no quintal as folhas secam
não se regra mais o amor
é tudo cinza gélido e oco
como uma floresta queimada

e ainda pensas que é pouco
no jardim a grama morre
no roseiral só há espinhos
pois as pétalas caíram

onde o vento carregou
pra bem longe as cores
nas manhas de domingo
os bem-te-vis em silêncio

e os cães não latem mais
só há neblina lá no porto
sem navios no meu cais

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