sábado, 17 de dezembro de 2011

Um Carnaval Chuvoso

O chiado no telhado, as gotas que
ficam penduradas no varal, não faz frio
e a umidade fica na pele, nas roupas.

Ela, ainda com sono, me pergunta
sobre as horas e boceja se ajeitando
na cama.
Beijo-lhe a face e sinto o cheiro de seu
perfume misturado ao seu próprio
cheiro, ao nosso cheiro esvaecido.
Não respondo nada pra não perder
o ritmo dos seus batimentos e ouvir
o sangue fervendo sendo empurrado
pelo coração de Fernanda.
Ela alisa os cabelos e abre olhos
que procuram minha expressão
e quando acham, surge um sorriso.

Convido a para tomar um café:
pão na chapa e achocolatado.
Ela se levanta meio corpulenta,
amarra os cabelos, vai até a janela,
observa em silêncio a terra
encharcada, esfrega os olhos
e olha para o céu: não há sol,
só há um céu raso e cinza, onde
uma luz de sombra expiava
e descobria seu sexo castanho.

- Está ficando tarde, ela me diz.
Depois se veste, calça os tênis e
pega seu guarda-chuvas colorido.

Mas a verdade é que nunca é tarde
para um café acompanhado do barulho
da chuva de uma tarde de carnaval
com Fernanda, a naturalista.

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